PsicoBrasil LogoPsicoBrasil®
AnsiedadeAutoestima

Autossabotagem: por que fazemos isso com nós mesmos

09/10/2026

A autossabotagem acontece quando sabemos o que precisamos fazer para alcançar um objetivo, mas, mesmo assim, não conseguimos agir ou acabamos fazendo algo que nos afasta daquilo que queremos. É como agir contra nossos próprios objetivos ou, até mesmo, contra aquilo que consideramos importante em nossa vida.

Isso pode acontecer por diferentes motivos, que estão relacionados ao contexto em que vivemos e às experiências que temos. Para compreender melhor como esse processo funciona, podemos observar três elementos: pensamentos, emoções e comportamentos. A relação entre eles nos ajuda a entender por que, muitas vezes, acabamos prejudicando nossos próprios objetivos, mesmo sem perceber.

💭 Pensamentos que nos sabotam: o que são?

Pensamentos disfuncionais, ou seja, aqueles que não nos ajudam a lidar com uma situação, podem fazer parte do processo de autossabotagem.

Imagine que você precisa realizar uma tarefa importante para alcançar um objetivo. Nesse momento, podem surgir pensamentos como: “Não sei se vou conseguir agora, então vou deixar para depois” ou “Não vou dar conta, então é melhor fazer de outro jeito”.

Esses pensamentos podem dificultar o início ou a conclusão de uma tarefa e nos levar a agir de maneira diferente daquela que gostaríamos. Por isso, identificar o que passa pela nossa cabeça é um primeiro passo importante. Quando reconhecemos esses pensamentos, podemos compreender melhor o que significam e avaliar como lidar com eles.

Na psicoterapia, especialmente na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), esse processo pode envolver a reestruturação cognitiva, uma estratégia utilizada com o auxílio do psicólogo para examinar os pensamentos, avaliar as evidências e desenvolver interpretações mais flexíveis e funcionais.

🧠 Penso, logo sinto?

Compreender a relação entre pensamentos e emoções é importante para perceber o que está acontecendo conosco. Muitas vezes, conseguimos identificar que estamos ansiosos, irritados ou tristes, mas nem sempre percebemos quais pensamentos contribuíram para despertar essas emoções.

Um exercício que pode ajudar é perguntar a si mesmo: “O que está passando pela minha cabeça neste momento?”

Você pode fazer essa pergunta quando perceber ansiedade, irritação, tristeza ou qualquer outra emoção que consiga reconhecer.

Por exemplo, entrar em contato com uma tarefa que acreditamos não ser capazes de realizar pode despertar ansiedade. Para diminuir esse desconforto, podemos acabar evitando a situação ou adiando a atividade. Embora isso possa trazer alívio momentâneo, também pode reforçar a ideia de que não somos capazes de lidar com aquela tarefa.

Assim, podemos entrar em um ciclo: pensamentos de incapacidade despertam emoções desagradáveis, que favorecem comportamentos de evitação. Esses comportamentos, por sua vez, podem nos afastar dos nossos objetivos e daquilo que é importante para nós.

🔄 Comportamentos que aliviam o desconforto, mas nos afastam dos objetivos

Para lidar com emoções desagradáveis e evitar pensamentos de incapacidade, podemos desenvolver estratégias que proporcionam alívio imediato, mas que acabam trazendo prejuízos ao longo do tempo. Na Psicologia, algumas dessas estratégias são chamadas de comportamentos de segurança.

Entre os exemplos, estão adiar tarefas, aumentar as distrações e recorrer a comportamentos potencialmente prejudiciais, como o uso de drogas ou o comer e o comprar compulsivos.

Esses comportamentos podem funcionar como uma tentativa de diminuir o desconforto naquele momento. O problema é que, quando se tornam frequentes, podem dificultar o enfrentamento das situações e nos afastar daquilo que queremos alcançar.

Por isso, vale observar não apenas o que fazemos, mas também o que estamos tentando evitar ou aliviar quando agimos dessa maneira.

🌱 Como começar a reconhecer a autossabotagem?

A autossabotagem pode ser influenciada por diferentes fatores, e compreender esse processo exige olhar para o contexto em que os comportamentos acontecem.

Observar os pensamentos que surgem, reconhecer as emoções envolvidas e identificar as atitudes que adotamos para lidar com o desconforto são passos importantes para compreender esses padrões.

Reconhecer a autossabotagem não significa se culpar pelo que acontece. Significa começar a entender o próprio funcionamento para construir formas diferentes de agir, mais alinhadas aos seus objetivos e valores.

Referências

Beck, J. S. (2021). Terapia cognitivo-comportamental: Teoria e prática (3ª ed.). Artmed.

Leahy, R. L. (2018). Técnicas de terapia cognitiva: Manual do terapeuta (2ª ed.). Artmed.

Este artigo é informativo. Em caso de sofrimento intenso, procure profissional qualificado.

Autor do Artigo

Gabriela Chaves

Psicólogo(a) cadastrado(a) no PsicoBrasil

Sou Gabriela Chaves Rodrigues, psicóloga graduada pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Com mais de 4 anos de expe...

Visitar Perfil & Agendar Consulta
Carregando comentários...