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Como escolher o psicólogo ideal para você

Como escolher o psicólogo ideal para você?

Começar a psicoterapia pode despertar muitas dúvidas. Uma das primeiras costuma ser: como escolher psicólogo?

Com tantos profissionais, abordagens e formas de atendimento disponíveis, é completamente compreensível não saber por onde começar. Afinal, escolher um psicólogo não significa apenas encontrar alguém com um determinado diploma ou uma agenda disponível. É também encontrar um profissional cuja forma de trabalhar faça sentido para aquilo que você está vivendo.

A Psicologia possui diferentes abordagens e cada profissional pode construir sua prática de uma maneira particular. Além disso, aspectos como formação, público atendido, modalidade das sessões, valores e disponibilidade também podem influenciar essa escolha.

Não existe um único psicólogo ideal para todas as pessoas. Existe o profissional que pode ser mais adequado para você, para o momento que está vivendo e para aquilo que busca na psicoterapia.

1. Verifique a formação e o registro profissional

O primeiro passo é verificar se o profissional é realmente psicólogo e possui registro ativo no Conselho Regional de Psicologia (CRP).

Essa é uma forma importante de garantir que você está buscando atendimento com alguém habilitado para exercer a profissão.

Também pode ser interessante conhecer a trajetória profissional do psicólogo. Alguns profissionais possuem pós-graduações, especializações e outras formações complementares relacionadas às áreas em que atuam.

A formação, entretanto, não deve ser o único critério. Um currículo extenso não significa automaticamente que aquele profissional será a melhor escolha para você.

O mais importante é observar o conjunto: formação, experiência, público atendido, abordagem e maneira de conduzir o trabalho.

2. Entenda a abordagem psicológica

Quando você pesquisa como escolher psicólogo, provavelmente vai encontrar nomes de diferentes abordagens: Psicologia Sistêmica, Psicanálise, Terapia Cognitivo-Comportamental, Gestalt-terapia, entre outras.

Pode parecer complicado no começo, mas você não precisa conhecer profundamente todas elas para escolher um profissional.

A abordagem representa, de maneira geral, uma forma de compreender a experiência humana e orientar o trabalho psicoterapêutico.

Por exemplo, na Psicologia Relacional Sistêmica, existe uma atenção especial às relações, aos vínculos e aos diferentes contextos que fazem parte da vida da pessoa. A experiência individual não é compreendida de maneira isolada, mas considerando também as relações e os ambientes nos quais ela está inserida.

Isso não significa que uma abordagem seja melhor que outra. São diferentes formas de compreender e trabalhar as questões humanas.

Se você não conhece nenhuma abordagem, tudo bem. Você pode perguntar ao profissional como ele trabalha e pedir que explique de maneira simples o que isso significa na prática.

3. Observe com quais questões o profissional trabalha

Cada psicólogo pode atender determinados públicos e demandas.

Alguns trabalham principalmente com adultos; outros com adolescentes, crianças, casais ou famílias. Também existem profissionais que concentram sua atuação em determinadas áreas ou contextos.

Antes de marcar uma sessão, verifique se o profissional atende pessoas com questões semelhantes às que levaram você a procurar psicoterapia.

Isso não significa que você precise chegar ao primeiro contato sabendo exatamente qual é o seu diagnóstico ou qual é o seu problema.

Você pode simplesmente explicar o que está acontecendo e perguntar se aquele profissional trabalha com esse tipo de demanda.

Uma boa pergunta pode ser:

“Você costuma atender pessoas que estão passando por uma situação parecida com a minha?”

Isso pode ajudar tanto você quanto o profissional a avaliar se existe possibilidade de acompanhamento.

4. Pense na modalidade e na rotina

A psicoterapia pode acontecer presencialmente ou online, dependendo da atuação do profissional e das possibilidades disponíveis.

No atendimento online, é importante verificar se você possui um ambiente que ofereça privacidade e condições adequadas para conversar durante a sessão.

Também vale considerar a rotina.

Um profissional excelente para você pode não ser uma escolha viável se os horários disponíveis forem incompatíveis com sua rotina ou se o deslocamento até o consultório tornar difícil manter a frequência dos encontros.

A continuidade é uma parte importante da psicoterapia. Por isso, encontrar um formato que consiga fazer parte da sua vida pode ser mais importante do que encontrar simplesmente o profissional com a melhor avaliação ou o consultório mais próximo.

5. Considere o valor e as condições de atendimento

O valor da psicoterapia também precisa fazer sentido para a sua realidade financeira.

Os honorários podem variar bastante entre profissionais e não existe um preço único obrigatório para uma sessão de psicoterapia.

O Conselho Federal de Psicologia disponibiliza uma tabela de referência de honorários para orientar a categoria, mas ela não estabelece um valor mínimo ou máximo obrigatório. Os honorários são definidos pelo profissional em acordo com a pessoa atendida.

Por isso, ao escolher um psicólogo, procure entender previamente:

  • qual é o valor da sessão;

  • qual é a duração aproximada;

  • como funciona o pagamento;

  • quais são as regras para cancelamento e remarcação;

  • quais horários estão disponíveis;

  • e como funciona o atendimento online ou presencial.

Ter essas informações antes do início do processo evita dúvidas e expectativas diferentes ao longo do acompanhamento.

6. Preste atenção à forma como você se sente durante o primeiro contato

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.

A psicoterapia envolve falar sobre experiências, pensamentos, sentimentos e relações que muitas vezes são difíceis de compartilhar.

Por isso, sentir que existe espaço para falar sem ser desrespeitado ou julgado pode fazer diferença.

Isso não significa que você necessariamente vai se sentir completamente confortável na primeira sessão. Começar uma psicoterapia pode ser estranho, desconfortável ou até gerar ansiedade.

Mas você pode observar algumas coisas:

Sinto que consigo falar?

O profissional demonstra interesse em compreender minha experiência?

Consigo fazer perguntas e dizer quando não entendo alguma coisa?

A maneira como ele se comunica faz sentido para mim?

Sinto que minha história está sendo respeitada?

Essas perguntas não têm respostas certas. Elas servem apenas como um ponto de partida para perceber como é estar naquela relação profissional.

7. O vínculo também importa

A psicoterapia não acontece apenas por meio de técnicas ou teorias. Existe uma relação construída entre profissional e pessoa atendida.

Pesquisas sobre psicoterapia apontam a importância da chamada aliança terapêutica, que envolve aspectos como colaboração, objetivos compartilhados e vínculo entre paciente e terapeuta.

Uma revisão ampla publicada por Bordin propôs a aliança terapêutica como um elemento central do processo psicoterapêutico, considerando a colaboração entre terapeuta e paciente como parte importante do trabalho.

Mais tarde, uma grande revisão e meta-análise conduzida por Flückiger e colaboradores encontrou uma associação consistente entre a qualidade da aliança terapêutica e os resultados da psicoterapia em diferentes abordagens e condições clínicas.

Isso não significa que você precisa gostar imediatamente do profissional ou que uma primeira sessão precisa ser perfeita.

Significa que a relação construída no processo merece ser considerada.

E essa relação também pode ser conversada. Se alguma coisa não estiver funcionando para você, é possível falar sobre isso com o psicólogo.

8. Você não precisa acertar de primeira

Existe uma expectativa de que, ao escolher um psicólogo, você precisa encontrar imediatamente “a pessoa certa”.

Na realidade, pode acontecer de você iniciar um processo e perceber que aquela abordagem, aquele formato ou aquela relação profissional não combina com o que você procura.

Isso não significa que a psicoterapia não funciona.

Às vezes, significa apenas que aquele profissional não é o mais adequado para você naquele momento.

Também pode levar algumas sessões para entender como você se sente naquele espaço. Por isso, vale diferenciar um desconforto natural de começar um processo terapêutico de uma sensação persistente de que aquele atendimento não está fazendo sentido.

Se necessário, conversar com o profissional sobre suas percepções pode ser um primeiro passo.

E, se mesmo assim você perceber que deseja procurar outra pessoa, isso também faz parte do seu direito de escolha.

Afinal, como escolher psicólogo?

Não existe uma fórmula para encontrar o psicólogo ideal.

Mas alguns critérios podem ajudar: verificar o registro profissional, conhecer a formação e a abordagem, observar o público atendido, considerar o formato e o valor das sessões e, principalmente, perceber como você se sente na relação construída com aquele profissional.

Você também não precisa saber exatamente o que está acontecendo com você antes de procurar ajuda.

Às vezes, basta perceber que alguma coisa não está bem e que você gostaria de compreender melhor o que está vivendo.

Escolher um psicólogo pode ser, portanto, menos sobre encontrar o profissional “perfeito” e mais sobre encontrar alguém com quem seja possível construir um espaço de escuta, reflexão e trabalho conjunto.

Perguntas frequentes

1. Como saber se escolhi o psicólogo certo para mim?

Observe se a formação, abordagem, público atendido e condições de atendimento fazem sentido para você. Também perceba como você se sente na relação com o profissional. A identificação pode ser construída ao longo das sessões e não precisa acontecer imediatamente.

2. Posso trocar de psicólogo se não me identificar com o profissional?

Sim. Você pode decidir interromper ou encerrar o acompanhamento e buscar outro profissional. Sempre que possível, é recomendável conversar sobre o encerramento com o psicólogo, especialmente quando já existe um processo em andamento.

3. Preciso saber qual é meu problema antes de procurar um psicólogo?

Não. Você não precisa chegar à primeira sessão com um diagnóstico ou uma explicação pronta. Parte do trabalho psicoterapêutico pode justamente envolver compreender melhor aquilo que você está vivendo, sentindo e buscando.

Para levar com você

Escolher um psicólogo é uma decisão pessoal. Pesquise, faça perguntas, conheça as possibilidades e dê espaço para perceber o que faz sentido para você.

Mais do que procurar alguém que tenha todas as respostas, talvez seja importante encontrar um profissional com quem você possa construir perguntas, compreender sua história e olhar para aquilo que está vivendo com mais cuidado.

Este artigo é informativo. Em caso de sofrimento intenso, procure profissional qualificado.

Autor do Artigo

Fernanda Ramos Sopeña

Psicólogo(a) cadastrado(a) no PsicoBrasil

Olá, tudo bem? 🌿 Me chamo Fernanda Ramos Sopeña, sou psicóloga clínica com atuação voltada ao atendimento online de adolescentes e mulheres. Minha prática é fundamentada na Psicol...

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