Quantas sessões de terapia são necessárias?
Uma das perguntas mais recorrentes no mundo da Psicologia: quanto tempo dura uma psicoterapia?
Quanto tempo o ser humano leva para se curar de seus sofrimentos? Essa é uma pergunta complexa de se responder. Poderíamos usar o jargão preferido dos psicólogos, “depende”, mas, se quisermos ser mais precisos, existem muitas variáveis em jogo, desde condições familiares, materiais e psicológicas até o quanto esse sofrimento afeta a vida de quem busca psicoterapia e quais recursos essa pessoa possui para lidar com ele (Campodónico; Guerrero, 2025).
Um processo psicoterapêutico é sempre centrado na especificidade de quem solicita esse serviço. Cada caso é um caso, cada pessoa é uma pessoa, cada maneira de sentir, sofrer e existir requer um cuidado especial, uma atenção específica e até diferentes modos de relação entre o psicólogo e a pessoa atendida (Campodónico; Guerrero, 2025). Logo, não poderia deixar de ressaltar: cada pessoa leva o seu tempo, e que seja o tempo que precisar, desde que não esteja em risco ou em extremo sofrimento naquele momento.
Existir implica experimentar a vida
Estar vivo e conviver com os outros implica que estamos sempre aptos a nos sentirmos afetados por esses colegas de existência. Sempre buscamos tornar nosso viver mais prazeroso e com o mínimo de interferência possível, alguns com maior esforço, outros nem tanto. Eventos acontecem em nosso cotidiano que fogem do nosso controle, escutamos determinadas coisas que nos afetam e vivenciamos experiências que nos marcam profundamente, principalmente aqueles eventos ditos traumáticos, sempre carregados de sentimentos e sensações que desejamos nunca mais sentir (Quinhones, 2026).
Conforme ressaltado por Quinhones (2026), viver em comunidade implica afetar-se pelos outros e também afetá-los, positiva ou negativamente. Em um processo psicoterapêutico, não poderia ser diferente. Durante esse período de tempo, diversos acontecimentos podem ocorrer, sejam eles contributivos para o processo ou dificultadores, como, por exemplo, um rompimento amoroso, uma nova paixão, a perda de um ente querido, um aumento salarial significativo e, assim, se estende uma lista infinita de acontecimentos que podem influenciar as condições psicológicas de uma pessoa.
Por isso, parte constitutiva do processo implica não somente a “cura” de todas as mazelas da vida, mas, principalmente, propiciar um espaço em que se possa auxiliar no fortalecimento das capacidades psicológicas de quem está em processo psicoterapêutico para lidar com todas essas questões às quais estamos sujeitos no dia a dia, além de desenvolver ferramentas para lidarmos com essas tristezas e angústias que permeiam o cotidiano.
Também é importante ressaltar que cada indivíduo terá uma maneira e um ritmo próprios para abordar questões de profundo sofrimento. Alguns possuem maior capacidade de suscitar e lidar com fortes afetos e eventos traumáticos, enquanto outros apresentam maior sensibilidade e demandam mais tempo para, aos poucos, aproximarem-se daquilo que os machuca. Além disso, ao longo desse processo, descobrimos dores antigas, novas dúvidas e questões que ou nunca existiram ou às quais nunca demos atenção, tornando esse processo orgânico, quase como uma dança sem ritmo, em que a música é ditada por cada paciente.
Antes de nos questionarmos sobre quanto tempo dura uma psicoterapia, poderíamos nos indagar: de quanto tempo eu preciso? Afinal, por exemplo, uma pessoa de 30 anos levou 30 anos para ser quem ela é. Resolver tudo isso em 50 minutos, uma vez por semana, pode acabar levando um tempinho, né?
REFERÊNCIAS
CAMPODÓNICO, Nicolás Matías; GUERRERO, Jaime Carrillo. Revisión sistemática exploratoria sobre monitorización rutinaria de resultados clínicos en psicoterapia. Veritas & Research, v. 7, n. 2, p. 179-196, 2025.
QUINHONES, Dionatans Godoy. Paradoxos, ambiguidades e saúde mental: Sofrimento e a potência dos vínculos. Revista PsiPorã, v. 3, n. 1, p. i-viii, 2026.