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Saúde mental do universitário: lidando com a pressão acadêmica

Entre provas e prazos: como cuidar da mente durante a graduação

Entrar na universidade costuma ser vivido como uma grande conquista, e é mesmo. Mas, junto com a alegria da aprovação, chegam mudanças que nem sempre são faladas: uma rotina nova, mais cobranças, novas responsabilidades e, para muitos, uma cidade e um círculo de pessoas diferentes. Nesse cenário, sentir pressão é comum e esperado. O desafio está em perceber quando ela deixa de ser passageira e começa a pesar demais. Pesquisas com estudantes universitários, no Brasil e em outros países, mostram que dificuldades emocionais, como ansiedade e tristeza persistente, são frequentes nessa fase da vida. Isso significa que, se você se identifica com esse cansaço, não está sozinho e não há nada de errado com você. Vamos conversar sobre de onde vem a pressão acadêmica e quando vale buscar apoio profissional?

De onde vem a pressão acadêmica

A pressão raramente tem uma única origem. Ela costuma nascer da soma de vários fatores ao longo do semestre: provas, trabalhos e prazos que se sobrepõem, a cobrança de professores e da instituição, as expectativas da família e as preocupações com o futuro profissional. Há também o peso das questões práticas, como dificuldades financeiras, tempo de deslocamento e a necessidade de conciliar estudo, estágio e trabalho.

Existe ainda uma cobrança que vem de dentro: a ideia de que é preciso ser sempre o melhor, de que errar é fracassar e de que descansar é perder tempo. Somada à comparação constante nas redes sociais, onde os colegas parecem sempre produtivos e realizados, ela faz muitos estudantes sentirem que estão ficando para trás, mesmo quando estão fazendo o melhor que podem.

Como perceber que a pressão passou do limite

O estresse faz parte da vida acadêmica e, em doses moderadas, pode até ajudar a manter o foco. O sinal de alerta aparece quando ele se prolonga e começa a afetar o corpo, os pensamentos e o comportamento.

Quando, por semanas, você percebe um cansaço que o sono não resolve, dificuldade de concentração e de memória, alterações no sono, irritabilidade, choro fácil ou uma sensação de vazio, vale prestar atenção. O mesmo vale para a perda de interesse por coisas que antes davam prazer, o afastamento de amigos e familiares, dores de cabeça ou de estômago sem causa clara e pensamentos repetitivos de incapacidade, como "não vou conseguir". Também é comum adiar tarefas por medo de não fazê-las bem, o que gera ainda mais culpa e ansiedade. Nada disso é frescura, preguiça ou falta de força de vontade e sim sinais de que a mente e o corpo estão sobrecarregados e precisam de cuidado.

O que pode ajudar no dia a dia

Pequenas atitudes, mantidas com constância, costumam fazer diferença. A primeira é organizar a rotina de forma realista: dividir grandes tarefas em etapas menores, priorizar o que é mais urgente e usar uma agenda simples reduz a sensação de caos. Nesse planejamento, reserve espaço para pausas e descanso, e não só para o estudo. 

Cuidar do básico também importa. Dormir bem, se alimentar com regularidade e movimentar o corpo, mesmo que com uma caminhada, influenciam o humor, a energia e a capacidade de aprender. Manter o lazer vivo, seja com música, esporte, leitura ou encontros com amigos, faz parte do cuidado e não é perda de tempo. Outro ponto é a forma como você conversa consigo mesmo. Muitas vezes somos mais duros conosco do que seríamos com um amigo na mesma situação. A autocompaixão, que significa tratar a si mesmo com gentileza e compreensão diante de falhas e dificuldades, foi descrita pela psicóloga Kristin Neff (2003) e vem sendo estudada há anos. Pesquisas indicam que níveis mais altos de autocompaixão estão associados a menos sintomas de ansiedade e depressão (MACBETH; GUMLEY, 2012). Errar ou tirar uma nota baixa faz parte do aprendizado e não define o seu valor.

Quando e como buscar apoio

Você não precisa dar conta de tudo sozinho. Muitas universidades oferecem serviços de acolhimento, apoio psicológico e orientação pedagógica, e conversar com coordenadores e professores pode abrir possibilidades, como a reorganização de prazos ou disciplinas.

Se o sofrimento começa a atrapalhar o sono, os estudos, os relacionamentos ou a vontade de viver, é um bom momento para procurar um psicólogo. Ele oferece um espaço de escuta, sem julgamentos, para você entender melhor o que sente e construir caminhos que façam sentido para a sua vida. Quando necessário, um médico também pode avaliar outras formas de apoio. Procurar ajuda é um gesto de cuidado consigo, e não de fraqueza.

Se a dor ficar tão intensa que surjam pensamentos de se machucar ou de desistir da vida, não carregue isso sozinho. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188 e por chat. Em situação de risco imediato, ligue para o SAMU (192) ou procure o pronto-atendimento mais próximo.

Sentir pressão na vida acadêmica é humano. Sofrer em silêncio não precisa ser a regra. Você não precisa ser perfeito, nem dar conta de tudo o tempo todo. Respeitar o seu ritmo, descansar quando for preciso e pedir apoio quando sentir que o peso aumentou fazem parte do caminho, não são desvios dele.

Para refletir: o que, na sua rotina de hoje, está pedindo mais cuidado? E qual seria um pequeno passo, possível ainda esta semana, para dar atenção a isso?

Perguntas frequentes

1. Sentir ansiedade antes de provas é normal? Sim. Um certo nível de ansiedade diante de uma avaliação é esperado e pode até ajudar a manter o foco. Vale buscar apoio quando ela é muito intensa, dura semanas, atrapalha o sono e a concentração ou leva você a evitar compromissos importantes.

2. Preciso esperar a situação ficar muito grave para procurar um psicólogo? Não. Você pode buscar acompanhamento psicológico sempre que sentir que está difícil lidar com as demandas e as emoções do dia a dia. Quanto antes você se permite receber cuidado, mais ferramentas tem para atravessar a fase com menos sofrimento.

3. Como ajudar um colega que parece estar sobrecarregado? Aproxime-se com escuta e sem julgamentos. Pergunte como a pessoa está e ouça com atenção, evitando frases como "isso é só cansaço". Você pode lembrar que existem serviços de apoio na universidade e incentivar a busca por um profissional, sem pressionar. Se houver sinais de risco, como falas sobre desistir da vida, procure ajuda imediatamente e acione o CVV (188) ou o SAMU (192).


Este artigo é informativo. Em caso de sofrimento intenso, procure profissional qualificado.

Autor do Artigo

Alice Rafael Moreira Coelho

Psicólogo(a) cadastrado(a) no PsicoBrasil

Muito prazer! Sou Alice, psicóloga clínica (CRP 06/237430) especializada em acolhimento de mulheres. Este é o seu espaço seguro para respirar com calma, ouvir a si mesma(o) e se re...

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