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Síndrome do pânico: como reconhecer e tratar

Síndrome do pânico: como reconhecer e tratar

A síndrome do pânico, conhecida clinicamente como Transtorno de Pânico, pode surgir de repente e trazer sensações que nem sempre são fáceis de entender.

Você está em um lugar comum.

No trabalho, no supermercado, dirigindo, em casa ou até tentando dormir.

De repente, seu coração começa a acelerar.

Você sente falta de ar, tontura, tremor, aperto no peito.

Seu corpo inteiro parece entrar em alerta.

E, em poucos minutos, surge um pensamento assustador:

“Eu vou morrer.” 

“Estou tendo alguma coisa.”

“Vou perder o controle.”

Quem já passou por uma crise de pânico sabe como ela pode ser assustadora. E talvez uma das coisas mais difíceis seja explicar para alguém o que aconteceu, porque, quando a crise passa, pode parecer que nada aconteceu.

Mas aconteceu.

Seu corpo realmente entrou em um estado intenso de alerta.

O que é o transtorno de pânico?

O transtorno de pânico é caracterizado pela ocorrência de ataques de pânico recorrentes e inesperados, acompanhados por preocupação persistente com a possibilidade de novas crises e/ou mudanças de comportamento relacionadas a elas.

Mas ter um ataque de pânico não significa, necessariamente, ter transtorno de pânico.

Um ataque de pânico pode acontecer de forma isolada e também pode estar presente em outros quadros. Por isso, o diagnóstico precisa ser feito por um profissional qualificado, considerando a história e os sintomas da pessoa.

Durante um ataque de pânico, podem aparecer sintomas como:

  • coração acelerado;
  • falta de ar ou sensação de sufocamento;
  • tontura;
  • tremores;
  • suor excessivo;
  • formigamento;
  • náusea;
  • dor ou aperto no peito;
  • sensação de estar perdendo o controle;
  • medo intenso de morrer.

É justamente a intensidade desses sintomas físicos que pode fazer a pessoa acreditar que existe algo gravíssimo acontecendo.

E é importante lembrar: sintomas como dor no peito, falta de ar ou palpitações também podem ter outras causas. Principalmente quando são novos ou intensos, é importante buscar avaliação médica adequada também.


Quando o medo da próxima crise começa a controlar sua vida

Talvez você teve uma crise dentro de um supermercado.

Depois disso, começa a pensar:

“E se acontecer de novo?”

Na próxima vez que entra no supermercado, começa a prestar atenção no seu coração. Ele acelera um pouco. Você percebe.

“Pronto. Vai começar.”

Você sai. Depois começa a evitar supermercados. Talvez passe a evitar shopping, avião, elevador, trânsito ou lugares onde acredita que seria difícil conseguir ajuda. Aos poucos, sua vida começa a ficar menor.

Esse é um ponto importante no transtorno de pânico: não é apenas a crise que causa sofrimento. O medo de ter outra crise e os comportamentos usados para tentar evitá-la também podem manter o problema.

Você começa a observar o corpo o tempo inteiro.

Qualquer alteração na respiração chama sua atenção. Uma aceleração do coração vira motivo de preocupação. Uma tontura faz você pensar que alguma coisa está errada.

E quanto mais você tenta controlar cada sensação, mais alerta fica para percebê-la.

O ciclo pode ficar assim:

sensação física

interpretação de perigo

medo

mais ativação do corpo

mais sintomas

mais medo.

Entender esse ciclo é uma parte importante do tratamento.


Por que uma crise de pânico parece tão perigosa?

Porque o corpo realmente está reagindo.

Quando nosso cérebro identifica uma ameaça, ele prepara o organismo para lidar com ela. O coração acelera, a respiração muda, os músculos ficam mais tensos e nossa atenção se volta para aquilo que parece perigoso.

O problema é que, durante um ataque de pânico, essa resposta pode acontecer mesmo quando não existe um perigo externo proporcional à intensidade da reação.

E então aparece uma segunda camada:

“Se meu coração está assim, alguma coisa muito grave deve estar acontecendo.”

Essa interpretação aumenta o medo. O medo aumenta a ativação do corpo. E os sintomas ficam ainda mais intensos.

Uma das bases da Terapia Cognitivo-Comportamental para o transtorno de pânico é justamente trabalhar essa relação entre sensações físicas, pensamentos, emoções e comportamentos.

Uma revisão publicada no PubMed sobre componentes da Terapia Cognitivo-Comportamental encontrou evidências importantes e técnicas que ajudam a pessoa a aprender uma nova relação com essas sensações. (Pompoli et Psychological Medicine.)


Síndrome do pânico tem tratamento?

Sim. Existem tratamentos psicológicos e medicamentosos com evidências científicas para o transtorno de pânico.

Entre as abordagens psicológicas, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das mais estudadas.

E terapia não significa simplesmente aprender a “respirar fundo” quando a crise aparece.

O tratamento pode envolver compreender o ciclo do pânico, identificar interpretações que aumentam o medo, trabalhar comportamentos de evitação e segurança e, quando indicado, utilizar técnicas de exposição.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no PubMed em 2023 analisou 74 estudos, envolvendo 6.699 participantes, e encontrou evidências de benefício da TCC para o transtorno de pânico em diferentes formatos de aplicação, incluindo terapia individual e em grupo. (Papola et al., 2023, Psychological Medicine.)

As diretrizes do NICE também recomendam a TCC como uma das principais opções de tratamento psicológico para o transtorno de pânico, ressaltando a importância de que seja realizada por profissionais com esta base teórica.

Em algumas situações, medicamentos também podem fazer parte do tratamento. A escolha depende da avaliação individual e pode ser discutida com um médico.

O mais importante é entender que você não precisa descobrir sozinha qual é o melhor caminho.

Quando procurar ajuda?

Talvez você esteja lendo este texto porque teve uma crise e ficou com medo de que ela aconteça novamente.

Talvez tenha começado a evitar lugares.

Talvez esteja sempre prestando atenção no seu coração, na sua respiração ou em qualquer sensação diferente no corpo.

Ou talvez sua vida tenha começado a ser organizada em torno de uma pergunta:

“E se eu tiver uma crise?”

Esse “e se” merece atenção.

Você não precisa esperar que o medo comece a determinar onde você vai, o que faz, com quem sai ou até onde consegue ir.

Na terapia, podemos olhar para esse ciclo com calma: entender o que acontece antes da crise, como você interpreta as sensações do corpo, quais comportamentos acabam mantendo o medo e quais estratégias podem ajudar você a recuperar espaço na sua vida.

Não se trata de simplesmente dizer para você “não tenha medo”.

É aprender a compreender o que acontece com você e construir, aos poucos, uma relação diferente com essas sensações.

Se você se reconheceu aqui, talvez este seja um bom momento para parar de organizar sua vida em torno do medo de ter uma crise.

Você não precisa entender tudo sozinha.

Podemos olhar para isso juntas, com acolhimento, conhecimento e um tratamento baseado no que a psicologia já sabe sobre o transtorno de pânico.


Perguntas frequentes

1. Ter uma crise de pânico significa que tenho síndrome do pânico?

Não necessariamente. Uma pessoa pode ter um ataque de pânico isolado sem desenvolver transtorno de pânico. O diagnóstico considera a recorrência das crises, se elas são inesperadas, a preocupação com novas crises e possíveis mudanças de comportamento relacionadas a elas.

2. Uma crise de pânico pode parecer um problema no coração?

Sim. O coração acelerado, a dor ou aperto no peito, a falta de ar e a tontura podem ser muito intensos e assustadores. Como esses sintomas também podem aparecer em outras condições, especialmente quando são novos ou intensos, é importante buscar avaliação adequada e não assumir que se trata de pânico.

3. A síndrome do pânico tem tratamento?

Sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental possui evidências científicas para o tratamento do transtorno de pânico. Em alguns casos, medicamentos também podem fazer parte do cuidado. O tratamento deve ser individualizado de acordo com os sintomas, a história e as necessidades de cada pessoa.

Este artigo é informativo. Em caso de sofrimento intenso, procure profissional qualificado.


Autor do Artigo

Nicolle Fontanela

Psicólogo(a) cadastrado(a) no PsicoBrasil

Sou Nicolle Fontanela, psicóloga clínica com 20 anos de experiência dedicados ao cuidado da saúde mental feminina. Ao longo da minha trajetória profissional, compreendi profundamen...

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